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Antiga sede dos Correios na Pituba é colocada à venda pela 17ª vez com valor 50% menor da última avaliação

A antiga sede dos Correios, localizada na Pituba, em Salvador, será leiloada pela 17ª vez na próxima terça-feira (5), com lance mínimo de R$ 109 milhões. Avaliado inicialmente em R$ 248 milhões em 2018, o imóvel teve seu valor drasticamente reduzido, refletindo não apenas a dificuldade de negociação, mas anos de abandono e má administração da empresa.

Com cerca de 35 mil metros quadrados, o complexo inclui um edifício empresarial de 20 andares, estrutura anexa, auditório, restaurante, pátios e estacionamento. Mesmo com essa estrutura robusta e localização privilegiada, as três propostas recebidas no último leilão, em junho deste ano, ficaram abaixo do valor estipulado, obrigando a estatal a tentar uma negociação direta com o maior interessado.

O encolhimento no valor do patrimônio acompanha o declínio dos próprios Correios. Entre 2010 e 2016, a empresa pública mergulhou em uma sequência de prejuízos bilionários, marcada por falhas operacionais, infraestrutura obsoleta e uso político da estatal.

Além disso, o fundo de pensão dos funcionários, o Postalis, sofreu perdas de aproximadamente R$ 6 bilhões, resultado de investimentos desastrosos e gestão negligente — comprometendo ainda mais a credibilidade da instituição no mercado.

A permanência do imóvel fechado por anos, sem aproveitamento para fins públicos ou sociais, é outro indicativo da falta de articulação entre órgãos federais, governo estadual e prefeitura. Um patrimônio de grande potencial urbano, que poderia ser convertido em centro administrativo ou equipamento comunitário, foi reduzido a um “elefante branco” custoso e sem função.

O colapso no valor da sede da Pituba não se deve apenas às flutuações do mercado, mas a uma sucessão de erros gerenciais e decisões políticas distantes do interesse público. A falta de planejamento estratégico, a morosidade institucional e o descompromisso com o patrimônio estatal resultaram em mais do que um prédio vazio: revelam o retrato de uma gestão ineficiente que ainda custa caro ao país.

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