Política

Efeito Flávio derruba juros e pode gerar economia de R$ 65,8 bilhões para o Brasil

A queda dos juros futuros após o resultado do primeiro turno das eleições pode representar uma economia de R$ 65,8 bilhões para os cofres públicos, caso o novo patamar das taxas seja mantido. O movimento ocorreu na segunda-feira (5), após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os dois avançarem para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Segundo economistas, as taxas de juros futuros com vencimentos nos próximos quatro anos recuaram cerca de 1 ponto percentual, ou 100 pontos-base, depois do resultado eleitoral. A estimativa de economia considera o impacto de uma redução de 1 ponto percentual na taxa Selic sobre a dívida pública.

A projeção utilizada tem como referência dados do Banco Central. Em seu relatório de Estatísticas Fiscais, a autoridade monetária estima o efeito de uma redução de 1 ponto percentual na Selic sobre a dívida pública. O dado sobre a queda dos juros futuros, porém, não é uma projeção do Banco Central.

O movimento é interpretado pelo mercado financeiro como uma melhora das expectativas em relação à política fiscal em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Segundo a avaliação, investidores enxergam a possibilidade de uma condução mais disciplinada das contas públicas, o que poderia abrir espaço para uma redução maior dos juros.

Com juros menores, o governo consegue refinanciar sua dívida pagando menos aos investidores. A redução do custo financeiro também pode abrir espaço no Orçamento para investimentos e outras despesas públicas.

O cenário também pode beneficiar empresas e consumidores. Com uma eventual queda da Selic, o crédito tende a ficar mais barato, favorecendo investimentos, expansão de negócios e contratações.

Bolsa bate recorde após resultado eleitoral

O movimento positivo não ficou restrito ao mercado de juros. Na segunda-feira, o Ibovespa atingiu 207 mil pontos, novo recorde, enquanto as empresas negociadas na Bolsa ganharam quase R$ 500 bilhões em valor de mercado.

A reação demonstra que as expectativas dos investidores podem produzir efeitos econômicos antes mesmo de uma eventual mudança de governo, principalmente por meio da redução do custo de capital e da melhora da confiança.

Apesar disso, o movimento não é definitivo. Segundo o Poder360, caso as expectativas sobre as contas públicas ou a inflação piorem, os juros futuros podem voltar a subir. Da mesma forma, uma melhora adicional nas perspectivas fiscais poderia pressionar as taxas ainda mais para baixo.

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