Citado junto com Moraes nas mensagens de Vorcaro, Paulo Gonet reage com rapidez e fecha delação com empresário do caso ‘Dark Horse’
A Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, avançou rapidamente nas investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A PGR fechou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e Participações. A empresa teria sido utilizada para intermediar repasses financeiros ligados à produção do longa. O acordo foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá decidir se homologa a colaboração.
A velocidade da atuação chama atenção justamente em um momento de forte desgaste institucional e de críticas dirigidas à PGR e ao próprio Paulo Gonet. Nos últimos dias, o procurador-geral foi questionado após manifestações relacionadas ao caso Vorcaro e às informações levantadas pela Polícia Federal envolvendo autoridades como Alexandre de Moraes e o procurador, também citado nos altos.
A delação de Freixo Júnior é a segunda colaboração premiada no caso Banco Master conduzida pela Procuradoria-Geral da República. A primeira foi a do empresário João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, também encaminhada ao gabinete de André Mendonça.
Repasses para o exterior entram no foco
Segundo as informações apresentadas pelo delator, Freixo Júnior detalhou pagamentos realizados a pedido de Vorcaro e remessas destinadas ao Havengate Development Fund, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, apontado como próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Os investigadores querem esclarecer se todo o dinheiro enviado ao fundo foi efetivamente utilizado na produção de Dark Horse ou se parte dos recursos teria sido usada para bancar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O empresário também teria relatado entregas de dinheiro em espécie, inclusive em malas, feitas a pedido de Vorcaro. Segundo informações divulgadas sobre o acordo, Freixo Júnior não teria citado autoridades com foro privilegiado e afirmou que não sabia que determinados repasses ao exterior estariam relacionados à produção do filme.
PGR acelera investigação
O caso ganhou dimensão política após a divulgação de mensagens e de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro aparece pedindo recursos a Vorcaro para financiar o filme. Segundo as investigações divulgadas, o banqueiro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para a produção.
Agora, a palavra está com André Mendonça. Se homologada, a delação de Freixo Júnior poderá acrescentar novas informações à investigação e esclarecer o caminho percorrido por parte dos recursos movimentados por Daniel Vorcaro.

