Política

Bahia está entre os estados com menor renda média do trabalho no Brasil, aponta IBGE

Rendimento médio do trabalhador baiano ficou em R$ 2.563 no segundo trimestre de 2026, bem abaixo da média nacional de R$ 3.738

A Bahia aparece entre os estados brasileiros com os menores rendimentos médios do trabalho, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre abril e junho de 2026, o trabalhador baiano recebeu, em média, R$ 2.563 por mês. O valor coloca a Bahia na terceira posição entre os menores rendimentos do país, à frente apenas do Maranhão, que registrou R$ 2.284, e do Piauí, com R$ 2.547. Alagoas, com R$ 2.578, e Pará, com R$ 2.593, também ficaram abaixo de R$ 2.600.

O rendimento médio mensal do trabalhador brasileiro chegou a R$ 3.738 no segundo trimestre. Dessa forma, a renda média na Bahia ficou R$ 1.175 abaixo da média nacional, uma diferença de aproximadamente 31%.

O indicador nacional, entretanto, apresentou recuo de 1,5% em relação ao recorde registrado no trimestre anterior, quando chegou a R$ 3.795.

Desigualdade regional continua evidente

Os números também revelam uma forte diferença entre as regiões brasileiras. Enquanto estados do Norte e Nordeste concentram os menores rendimentos, o Distrito Federal lidera o ranking nacional, com média de R$ 6.171 mensais.

São Paulo aparece na sequência, com R$ 4.447, seguido por Santa Catarina, com R$ 4.372.

Segundo especialistas ouvidos em análise sobre os dados, fatores como o menor dinamismo econômico histórico, a informalidade e a menor presença de setores de maior produtividade ajudam a explicar a diferença de renda entre as regiões.

O mercado de trabalho informal é apontado como um dos fatores que ajudam a manter a renda média em patamares mais baixos no Norte e Nordeste. A avaliação é que economias com maior presença de indústria, infraestrutura e empregos de maior qualificação tendem a apresentar remunerações mais elevadas.

Na Bahia, portanto, o dado não representa apenas uma fotografia dos salários, mas também expõe um desafio estrutural: a dificuldade de transformar crescimento econômico em empregos com maior remuneração para uma parcela significativa da população.

Apesar da trajetória de recuperação da renda do trabalho observada ao longo da série histórica iniciada em 2012, as diferenças entre os estados continuam expressivas.

A situação baiana ganha ainda mais relevância quando comparada ao Distrito Federal: o rendimento médio de um trabalhador brasiliense é aproximadamente 2,4 vezes superior ao registrado na Bahia.

Os dados da PNAD Contínua mostram que o mercado de trabalho brasileiro continua marcado por profundas desigualdades regionais, e que a Bahia permanece entre os estados onde o trabalhador precisa lidar com uma das menores rendas médias do país, sem previsão de mudanças.

O governador Jerônimo Rodrigues não comentou os dados do IBGE

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