Fim da escala 6×1 pode ter efeito contrário e prejudicar trabalhadores, alerta especialista
A proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1 voltou a ganhar força no Congresso Nacional, mas também enfrenta críticas de especialistas que alertam para possíveis efeitos negativos sobre o mercado de trabalho.
A discussão envolve a redução da jornada semanal e a ampliação dos dias de descanso. A proposta já avançou na Câmara dos Deputados e foi encaminhada ao Senado, onde deverá passar pelas comissões antes de uma eventual votação em plenário.
Entre os argumentos contrários está o possível aumento dos custos para as empresas. Segundo especialistas, especialmente nos setores que dependem de atendimento contínuo, a redução da jornada poderá exigir novas contratações para manter o mesmo funcionamento, elevando a folha de pagamento.
Em seminário realizado nesta semana pela FecomercioSP, o economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV Ibre, afirmou que a redução da jornada tende a aumentar a rotatividade e pode piorar a qualidade dos empregos. Outros especialistas também apontaram impactos sobre a produtividade e os custos das empresas.
A preocupação é que, diante de despesas maiores, algumas empresas possam reduzir contratações, substituir trabalhadores ou recorrer à informalidade. O resultado, segundo os críticos, poderia atingir justamente parte dos trabalhadores que a mudança pretende beneficiar.
Por outro lado, entidades sindicais defendem o fim da escala 6×1 e sustentam que a redução da jornada, sem diminuição dos salários, pode melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores.
A proposta, portanto, divide opiniões. Enquanto seus defensores consideram a mudança uma forma de ampliar o descanso e melhorar as condições de trabalho, críticos alertam para possíveis impactos sobre custos, empregos e preços.
A discussão deverá ganhar ainda mais força nas próximas semanas, à medida que o Senado avance na análise da PEC.

