Política

Governo Trump vê censura no Brasil após X mudar algoritmo eleitoral

A mudança no sistema de recomendações da rede social X para o período eleitoral brasileiro de 2026 provocou uma nova reação do governo dos Estados Unidos. Uma integrante de alto escalão da administração de Donald Trump classificou a medida como uma forma de censura imposta pelo Brasil.

A alteração foi implementada pelo X na sexta-feira (14), às vésperas do início oficial do período eleitoral, e passou a impedir que publicações de candidatos sejam recomendadas automaticamente na aba “Para Você” para usuários que não seguem esses perfis.

A plataforma criou o filtro denominado “Brazil2026ElectionFilter”, que restringe a distribuição algorítmica de conteúdos de candidatos. As publicações, entretanto, continuam disponíveis nos respectivos perfis e podem ser acessadas normalmente por usuários que optarem por seguir as contas.

A medida foi adotada pelo X para cumprir as regras eleitorais brasileiras. De acordo com a legislação citada pela plataforma, redes sociais que utilizam sistemas de recomendação devem retirar contas oficiais de candidatos e suas publicações desses mecanismos durante o período eleitoral, salvo situações específicas, como o impulsionamento pago.

Governo Trump critica medida

A subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública e Assuntos Públicos, Sarah B. Rogers, reagiu à mudança e afirmou que a iniciativa representa uma “censura imposta pelo Brasil”.

A declaração acrescenta mais um episódio às crescentes divergências entre Washington e Brasília envolvendo liberdade de expressão, regulação das redes sociais e atuação das instituições brasileiras.

A crítica ocorre em um momento de forte tensão diplomática entre o governo Trump e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos meses, os dois países também entraram em rota de colisão por questões comerciais, diplomáticas e relacionadas ao funcionamento das instituições brasileiras.

O que muda para os usuários

Na prática, o usuário que não seguir determinado candidato deixa de receber automaticamente publicações daquele perfil na aba “Para Você”, que utiliza algoritmos para selecionar conteúdos considerados relevantes para cada pessoa.

Isso não significa, contudo, que as contas dos candidatos sejam suspensas ou que suas publicações sejam apagadas. O conteúdo permanece disponível nos perfis oficiais e pode ser visualizado por quem acessar ou seguir essas contas.

A discussão coloca novamente em evidência o alcance das regras eleitorais brasileiras sobre as plataformas digitais. Enquanto as autoridades brasileiras tratam as medidas como mecanismos para garantir o cumprimento da legislação eleitoral, integrantes do governo norte-americano questionam os efeitos dessas restrições sobre a liberdade de expressão e a circulação de conteúdo político.

A controvérsia deve ganhar ainda mais repercussão durante a campanha eleitoral de 2026, especialmente diante do peso das redes sociais na comunicação entre candidatos e eleitores.

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