Política

Investigação aponta tentativa de contato de Daniel Vorcaro com cúpula da PF e da PGR antes de prisão

Um relatório preliminar da Polícia Federal, tornado público na terça-feira (16), por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tentou acionar integrantes da cúpula da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro de 2025.

De acordo com os investigadores, Vorcaro teria pedido a um interlocutor que reforçasse mensagens ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo anotações encontradas no celular do ex-banqueiro, o objetivo seria evitar que subordinados dos órgãos praticassem “alguma sacanagem”, expressão atribuída a Vorcaro nos documentos analisados pelo órgão.

As informações fazem parte das investigações da Operação Compliance Zero, que apura supostos crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa relacionados ao antigo controle do Banco Master. A apuração teve início em 2024 e já resultou em diversas fases da operação, com prisões, buscas e bloqueios bilionários de bens. 

Segundo o relatório, a Polícia Federal identificou indícios de que Vorcaro monitorava, desde julho de 2025, movimentações ligadas a possíveis investigações envolvendo o Banco Master. Os investigadores afirmam que ele teria obtido acesso à Notícia de Fato que deu origem à Operação Compliance Zero e recebido informações sigilosas sobre reuniões entre a PF, o Ministério Público Federal e o Banco Central.

Ainda de acordo com a investigação, o ex-banqueiro teria sido informado por pessoas ligadas ao Banco Central sobre a pressão exercida pelos órgãos de investigação antes mesmo da deflagração da operação. O relatório aponta que Vorcaro registrou nomes de autoridades envolvidas nas apurações e buscou ampliar sua rede de influência junto a agentes públicos e integrantes do meio político. 

Os investigadores também afirmam que o ex-banqueiro planejou uma viagem a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para se encontrar com um interlocutor que teria participado de uma reunião reservada sobre o caso. A suspeita é de que informações confidenciais tenham sido compartilhadas indevidamente.

A investigação tramita sob relatoria do ministro André Mendonça, responsável por autorizar a divulgação parcial dos documentos. A Procuradoria-Geral da República ainda deverá se manifestar sobre os próximos passos do processo e sobre eventuais pedidos apresentados pela defesa de Vorcaro. 

Até o momento, não há registro de que os chefes da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República tenham atendido às tentativas de contato mencionadas no relatório. A defesa de Daniel Vorcaro sustenta que o empresário não teve acesso privilegiado às investigações e nega a prática de irregularidades. 

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