Australiana processa psiquiatra após transição de gênero e relata arrependimento
A australiana Jay Langadinos, atualmente com 31 anos, entrou com uma ação judicial contra o psiquiatra Dr. Patrick Toohey, por suposta negligência profissional, após passar por tratamento hormonal e cirurgias de transição de gênero, realizadas entre 2010 e 2012, período em que tinha entre 19 e 22 anos.
De acordo com documentos apresentados à Suprema Corte de Nova Gales do Sul (NSW), na Austrália, Jay foi encaminhada ao psiquiatra em maio de 2010 por uma endocrinologista para avaliação antes do início da terapia hormonal com testosterona. Na época, identificando-se como homem, ela recebeu parecer favorável para iniciar o tratamento voltado ao desenvolvimento de características masculinas.
Dois anos depois, em fevereiro de 2012, Jay voltou ao especialista com o objetivo de realizar uma mastectomia bilateral, cirurgia para retirada das mamas. O procedimento foi autorizado e realizado em abril daquele ano. Meses depois, ainda em 2012, ela buscou aprovação para uma histerectomia, cirurgia para retirada do útero, realizada em novembro, menos de sete meses após a primeira intervenção cirúrgica.
Segundo a ação judicial, Jay afirma que começou a questionar as decisões médicas tomadas anteriormente durante um novo acompanhamento psiquiátrico iniciado em novembro de 2016. Posteriormente, em janeiro de 2020, procurou um endocrinologista para interromper o uso de testosterona.
No processo, ela sustenta que o psiquiatra “não tomou precauções” adequadas diante dos riscos associados às intervenções médicas, incluindo a perda definitiva dos órgãos reprodutivos e possíveis efeitos colaterais relacionados ao tratamento hormonal. A ação também argumenta que deveria ter ocorrido uma avaliação psiquiátrica mais aprofundada, além da recomendação de uma segunda opinião médica antes da realização das cirurgias.
Em entrevista aos jornais australianos The Age e The Sydney Morning Herald, Jay declarou que a impossibilidade de ter filhos se tornou uma das consequências mais dolorosas após o processo de transição. “Saber que não posso ter filhos é absolutamente devastador”, afirmou.
Ela também relata ter enfrentado consequências físicas e psicológicas após os procedimentos, incluindo menopausa precoce, ansiedade, depressão, efeitos ligados ao tratamento hormonal e necessidade contínua de acompanhamento médico.
O psiquiatra Dr. Patrick Toohey informou, por meio dos mesmos veículos de imprensa, que não pode comentar o caso devido ao andamento do processo judicial.
A advogada Anna Kerr, da Feminist Legal Clinic, responsável por encaminhar o caso ao escritório que conduz a ação, afirmou que o processo pode representar um indicativo de futuras judicializações envolvendo procedimentos de transição de gênero e protocolos médicos adotados nesses tratamentos.

