Obra de expansão do metrô de Salvador derruba dois casarões históricos no Campo Grande
Para viabilizar a construção da nova estação que ligará a região da Estação da Lapa ao Campo Grande, casarões antigos da área começaram a ser demolidos, gerando críticas e preocupações sobre o impacto cultural da intervenção.
O projeto faz parte do chamado Tramo 4 da Linha 1 do metrô, com cerca de 1,2 km de extensão subterrânea e investimento estimado em aproximadamente R$ 2 bilhões. A obra prevê a implantação de uma nova estação no Largo do Campo Grande, área tradicional do centro da capital baiana.
Para permitir a construção, o governo estadual decretou a desapropriação de cerca de 6 mil m², envolvendo diferentes imóveis na região, incluindo prédios antigos e casarões que fazem parte da paisagem urbana histórica do bairro.
Segundo informações divulgadas, os imóveis não possuem tombamento oficial, o que permitiu a autorização para demolição após análise de órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No entanto, o fato de não serem formalmente tombados não significa que não possuam valor histórico ou cultural. Muitos desses casarões fazem parte da memória arquitetônica do centro de Salvador, um dos espaços urbanos mais tradicionais da cidade.
Críticos apontam que decisões desse tipo acabam refletindo uma visão limitada sobre o patrimônio urbano, tratando imóveis que não possui proteção legal acabam sendo tratado apenas como um obstáculo à modernização. Outro ponto questionado é a forma como o processo vem sendo conduzido. A expansão de projetos dessa magnitude deveriam envolver maior debate público, transparência e alternativas de preservação.
Em diversas cidades do mundo, obras de infraestrutura convivem com edifícios históricos por meio de adaptações arquitetônicas ou integração dos elementos antigos ao novo projeto. No caso do Campo Grande, muitos questionam se essa possibilidade foi realmente considerada ou se a demolição foi simplesmente a solução mais rápida.
O episódio revive um antigo dilema da capital baiana: a dificuldade de conciliar crescimento urbano com preservação do patrimônio. Salvador é uma das cidades mais antigas do Brasil e possui uma enorme herança arquitetônica, mas frequentemente vê edificações históricas desaparecerem diante na negligência do governo em conciliar o patrimônio histórico e novos projetos urbanos.
Até o momento, o Governo do Estado não se pronunciou o assunto, que destruir parte da história da cidade. Por sua vez, a prefeitura municipal também não fez nenhuma manifestação sobre a infração.

