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Paquistão bombardeia principais cidades do Afeganistão e declara “guerra aberta” contra governo Talibã

O Paquistão lançou ataques aéreos contra cidades afegãs, incluindo a capital Cabul, e anunciou oficialmente uma declaração de “guerra aberta” contra o governo controlado pelo Talibã, marcando uma grave escalada nas tensões entre os dois vizinhos do Sul da Ásia.

De acordo com autoridades paquistanesas, as forças militares do país realizaram bombardeios com mísseis ar-terra contra escritórios e posições militares talibãs em Cabul, Kandahar e na província de Paktia durante a madrugada desta sexta-feira (27).

Após os ataques, o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, declarou que a paciência de Islamabad “se esgotou” e que agora há uma guerra aberta com o vizinho afegão. Nas redes sociais, ele afirmou que as operações tinham como objetivo responder a ataques que, segundo Ancara, foram lançados a partir do território afegão contra posições paquistanesas.

As relações entre os dois países, historicamente marcadas por rivalidades e disputas fronteiriças, têm se deteriorado nos últimos meses. Islamabad acusa o governo talibã de abrigar e permitir que militantes hostis, como o Tehreek Taliban Paquistanês (TTP), realizem ataques contra alvos paquistaneses, algo que o Talibã afegão nega.

Os bombardeios paquistaneses coincidiram com relatos de confrontos terrestres ao longo dos aproximadamente 2.600 km de fronteira, incluindo disparos de artilharia pesada e troca de acusações entre as forças dos dois países.

Ambos os lados divulgaram números divergentes sobre vítimas e danos causados pelos ataques, reclamações que não puderam ser verificadas de forma independente até o momento. O governo paquistanês afirmou que dezenas de combatentes talibãs foram mortos, enquanto o Talibã afirmou que forças paquistanesas sofreram perdas consideráveis, incluindo a captura de posições militares.

A escalada preocupa observadores regionais porque tanto o Paquistão quanto o Afeganistão estão situados em uma região instável do Sul da Ásia, onde o Paquistão detém armas nucleares e um arsenal militar tecnologicamente superior.

Países vizinhos e potências regionais, incluindo Rússia, China, Turquia, Arábia Saudita e Irã — têm tentado intermediar o conflito por meio de canais diplomáticos, buscando evitar uma guerra prolongada que poderia desestabilizar ainda mais a região.

Entretanto, com bombardeios diretos sobre áreas urbanas e a declaração formal de guerra entre dois governos soberanos, a situação abre perspectivas sombrias de um confronto de maior duração, com impactos diretos para civis de ambos os lados da fronteira.

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