Duas turistas são baleadas ao trafegar próximo a protesto de indígenas na Bahia
Duas turistas, naturais do Rio Grande do Sul, foram atingidas por disparos de arma de fogo na manhã desta terça-feira (24), enquanto passavam de carro por uma estrada vicinal no distrito de Corumbau, no município de Prado, no extremo sul da Bahia.
O episódio ocorreu em uma área conhecida por conflitos fundiários e protestos indígenas, mas o que deveria ser um passeio turístico transformou-se em um risco à vida de visitantes. Segundo a polícia, as turistas estavam a caminho da praia de Barra do Cahy quando o veículo em que estavam foi atingido por vários tiros. Um homem que as acompanhava não foi ferido.
Socorridas inicialmente em um posto de saúde local, as mulheres foram posteriormente resgatadas por um helicóptero e levadas ao Hospital Regional de Porto Seguro, onde, segundo informações médicas, o estado de saúde delas não é grave.
Apesar da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) ter divulgado que o autor dos disparos já foi identificado, nenhuma prisão foi efetuada até o momento. A Secretaria de Segurança Pública do estado disse ter determinado “reforço no policiamento”, mas não esclareceu medidas concretas para impedir que casos como esse voltem a acontecer na região.
Quando o turismo vira perigo
A violência contra turistas não é algo paralelo à realidade baiana. O epsódio, só retrata um sintoma claro de falhas profundas na segurança pública, que transformam áreas antes procuradas por visitantes em cenários de insegurança. Regiões marcadas por tensão agrária, ausência de policiamento ostensivo e falta de políticas eficazes de proteção a civis, torna-se fértil para que disparos, seja de manifestantes, grupos armados ou civis, ceifem as vidas ou, no mínimo, causem traumas físicos e psicológicos.
Enquanto isso, governos estadual e municipal se limitam a anúncios de reforço de policiamento, sem apresentar ações estruturantes que reduzam efetivamente a criminalidade e garantam o direito básico de visitantes e moradores à segurança. Um estado que depende do turismo para movimentar sua economia não pode conviver com episódios que transformam férias em risco de morte.
Este caso deve servir como alerta às autoridades: segurança pública não é apenas presença policial, é resultado de planejamento, prevenção e compromisso real com a proteção de todos, incluindo turistas que escolhem a Bahia como destino.

