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Cacauicultores voltam a interditar a BR-101 no Sul Bahia

Produtores de cacau realizaram, na manhã desta quarta-feira (18), a quarta interdição neste mês de um trecho da BR-101, no distrito de Itamarati, município de Ibirapitanga (BA), em protesto contra a importação de cacau africano e o que classificam como atuação de um “cartel” internacional que prejudica a renda dos agricultores.

Segundo os manifestantes, a mobilização começou por volta das 8h e, até o início da tarde, não havia previsão de liberação da rodovia, causando longas filas de veículos nos dois sentidos da pista e transtornos para motoristas e transportadores que trafegam na região.

Motivações do protesto

Os produtores afirmam que a forte importação de cacau africano, aliada a um deságio aplicado por empresas multinacionais do setor, tem reduzido os preços pagos pelo produto nacional, comprometendo diretamente a renda dos pequenos e médios agricultores.

Pelo menos quatro protestos já foram registrados neste mês envolvendo a categoria. Segundo relatos de outros veículos, manifestações semelhantes já ocorreram em outros trechos da BR-101 no sul da Bahia, com produtores reivindicando preços mais justos e medidas concretas de apoio ao setor.

Repercussão no tráfego e atuação das autoridades

A interdição mobilizou equipes da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que foram acionadas para monitorar a situação e iniciar negociações com os manifestantes com o objetivo de liberar a pista e restabelecer o tráfego.

Os bloqueios em rodovias federais têm sido uma forma de pressão adotada pelos produtores para chamar a atenção das autoridades. A pauta já foi formalizada e apresentada às esferas estaduais e federais, que, segundo representantes, analisam propostas enviadas por lideranças da Bahia e do Pará — outro importante polo produtor de cacau no país.

Contexto mais amplo: queda de preços e importações

A região cacaueira do sul da Bahia enfrenta desafios econômicos nos últimos anos, com quedas de preço da amêndoa e aumento da concorrência de produtos importados, especialmente de países africanos. Esses fatores têm sido citados pelos produtores como responsáveis pela redução de renda e dificuldades de manutenção da produção local.

A mobilização em Ibirapitanga reflete a insatisfação crescente de agricultores com as condições de mercado, que, para muitos, ameaçam a sustentabilidade de uma atividade econômica tradicional da região.

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