Assessor de Jerônimo Rodrigues tenta blindar governador e impede perguntas da imprensa
Um assessor do governador Jerônimo Rodrigues (PT) foi flagrado, nesta quarta-feira (13), tentando impedir que jornalistas fizessem perguntas ao chefe do Executivo estadual durante a abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). A atitude gerou reação imediata dos profissionais de imprensa e foi interpretada como uma tentativa de interferência no livre exercício do jornalismo.
O episódio foi capturado em vídeo e amplamente compartilhado nas redes sociais. No momento em que jornalistas se preparavam para questionar o governador sobre os recentes conflitos internos da base governista, especialmente no que diz respeito à composição da chapa para as eleições de 2026. De forma ríspida, mandou encerrar os questionamentos com a frase: “chega, pessoal, já deu”.
Além de barrar as perguntas, o assessor fez acusações diretas aos profissionais presentes, afirmando que eles “recebem milhões de reais da prefeitura”, insinuação que foi prontamente rebateada pelos jornalistas no local.
A jornalista Cíntia Kelly, do portal Aqui só Política, contestou a afirmação, afirmando que não é papel do assessor impedir perguntas. Já o jornalista Alexandre Galvão, do Se Ligue Bahia, classificou a postura do assessor como um “desrespeito” e uma tentativa de se colocar no lugar do próprio governador.
O presidente do Comitê de Imprensa da Alba e editor-chefe do portal Muita Informação, Osvaldo Lyra, lamentou o episódio e ressaltou a importância do respeito ao trabalho jornalístico. Segundo ele, qualquer interferência que limite o acesso à informação pública fere princípios democráticos e a liberdade de imprensa.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba) também emitiu nota oficial, repudiando qualquer tentativa de cerceamento ao exercício profissional do jornalismo. A entidade reforçou que o trabalho da imprensa é essencial para garantir transparência e accountability em um regime democrático.
Ainda nesta quarta-feira (4), após o episódio, começou a circular em grupos de WhatsApp um texto apócrifo com ataques a jornalistas e veículos de comunicação baianos. A mensagem continha acusações semelhantes às proferidas pelo assessor, incluindo a alegação de que alguns portais receberiam dinheiro da prefeitura de Salvador e teriam tendência política para atacar membros da base governista, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Otto Alencar (PSD).
O Correio da Bahia, veículo que noticiou originalmente o fato, publicou sua própria nota de repúdio à mensagem, destacando que tais ataques representam uma ameaça ao pluralismo e aos valores democráticos, além de promoverem a ideia de pensamento único, algo que, segundo a publicação, não deveria ter espaço no jornalismo sério do estado nem no Brasil.
O episódio ocorre em um momento em que a gestão de Jerônimo Rodrigues enfrenta críticas não apenas sobre o relacionamento com a imprensa, mas também em outras frentes, como a avaliação de seu desempenho governamental em Salvador e no estado, onde setores da oposição têm questionado a condução de políticas públicas e resultados à população.
Enquanto aliados do governo defendem suas ações e resultados, inclusive em áreas como segurança pública, opositores e parte da imprensa intensificam a cobrança por transparência, respeito às instituições e diálogo aberto com a sociedade.

