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Vorcaro e ex-presidente do BRB divergem sobre a origem de carteiras do Master em acareação

Em um dos capítulos mais recentes da investigação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apresentaram versões conflitantes nesta quinta-feira (29), durante uma acareação no Supremo Tribunal Federal (STF). Os vídeos dos depoimentos, que estavam sob sigilo, foram tornados públicos pelo ministro Dias Toffoli.

O ponto central do confronto foi a origem das carteiras de crédito, consideradas problemáticas, que o BRB adquiriu do Master a partir de janeiro de 2025. A investigação faz parte de um inquérito que apura possíveis irregularidades na venda de ativos entre os dois bancos, em meio à crise enfrentada pelo Master e sua eventual liquidação.

Versões opostas sobre a origem dos créditos

Durante a acareação, Vorcaro afirmou que a negociação com o BRB incluía “carteiras originadas por terceiros”, ou seja, títulos que não teriam sido criados pelo próprio Banco Master. Segundo ele, a intenção era comunicar que os ativos eram estruturados por terceiros e não oriundos diretamente da carteira do banco. “A Tirreno nem eu mesmo sabia, naquela ocasião, o nome Tirreno. A gente chegou a conversar algumas vezes que começaríamos um novo formato de comercialização que seriam carteiras originadas por terceiros”, disse o banqueiro.

Em contrapartida, Paulo Henrique Costa declarou que sempre entendeu que os créditos vendidos eram originados pelo próprio Banco Master, e só posteriormente surgiram informações de que as carteiras poderiam ter origem externa. “O meu entendimento… é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, relatou.

Essa divergência foi aprofundada quando Costa explicou que o BRB só começou a questionar a natureza dos créditos após identificar um “padrão documental diferente” em abril de 2025, o que levantou suspeitas sobre a autenticidade dos ativos.

Operação e volumes envolvidos

Segundo os autos, as operações entre o Master e o BRB chegaram a movimentar aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito, muito desse valor atualmente sob investigação por supostas irregularidades documentais e falta de lastro.

A empresa Tirreno, mencionada por Vorcaro, teria sido apontada durante a investigação como a origem de vários desses títulos de crédito, com indícios de ser uma empresa de fachada, embora o banqueiro alegue não ter conhecimento prévio do nome ou dos detalhes da companhia na ocasião.

Repercussão e próximos passos

A divulgação dos depoimentos deve influenciar as fases da investigação e o posicionamento dos órgãos reguladores e judiciais sobre o caso. Além disso, analistas financeiros e órgãos de fiscalização acompanham atentamente os desdobramentos para avaliar potenciais responsabilidades civis e criminais dos envolvidos, bem como eventuais impactos sobre o mercado financeiro mais amplo.

 

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