Política

Otto Alencar solta ditado enigmático, que soou como sinal de alerta na base de Jerônimo

Quando um senador experiente resolve abandonar o discurso político tradicional e apelar para ditado popular com pitada de deboche, é sinal de que o clima nos bastidores não anda lá essas coisas. Foi exatamente isso que fez Otto Alencar (PSD) ao publicar um vídeo enigmático ou nem tanto que rapidamente acendeu o alerta vermelho na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

No melhor estilo “quem entendeu, entendeu”, Otto disparou:
“Três coisas que podem arruinar sua vida: passar à frente de um touro brabo, passar por trás de um burro coiceiro ou andar ao lado de um idiota.”

A fala, dita em tom de brincadeira, foi tudo menos inocente. No mundo real da política baiana, onde nada é dito por acaso, o ditado foi lido como recado direto, atravessado e com endereço certo, ainda que sem CEP declarado.

O vídeo surgiu em um momento bastante oportuno ou inconveniente, dependendo do ponto de vista. A base governista discute, nos bastidores, a formação da chapa para 2026, e o PT volta a flertar com a velha ideia da chapa “puro-sangue”, aquela em que os aliados servem basicamente para bater palma e assistir de longe.

Otto, que não costuma fazer papel de figurante, já avisou em outras ocasiões que esse tipo de estratégia costuma dar errado. Ainda assim, parece que alguns insistem em brincar de laboratório político e o senador resolveu avisar, em linguagem popular, que andar ao lado de certas figuras pode ser um esporte de alto risco.

Publicamente, tudo segue sob controle. Fotos, sorrisos, encontros na Governadoria e discursos sobre “unidade da base”. Nos bastidores, porém, a postagem caiu como aquele comentário atravessado no grupo da família: ninguém responde diretamente, mas todo mundo entendeu o clima.

Aliados do governo tentaram minimizar, dizendo que Otto apenas “gosta de frases reflexivas”. Outros, mais realistas, admitem que o senador apenas fez o que sabe melhor: mandou o recado sem precisar levantar a voz.

Otto Alencar é do tempo em que político não precisava de thread no X nem de nota oficial para se posicionar. Um ditado bem escolhido, no momento certo, resolve. E, convenhamos, quando um senador com décadas de estrada resolve falar em “idiotas” no meio de uma crise de articulação política, dificilmente é só sobre filosofia de botequim.

Se foi aviso, bronca ou apenas sarcasmo calculado, o fato é que a frase ecoou e forte dentro da base governista. Agora, resta saber quem vai fingir que não ouviu… e quem vai continuar caminhando perigosamente ao lado de quem não deveria.

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