Política

Escalada de custos ameaça São João na Bahia, diz Zé Cocá: “Nenhum município terá condições de bancar”

O crescimento descontrolado dos custos para realização das festas juninas acendeu um sinal de alerta entre gestores baianos. Para o prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), o cenário atual torna insustentável a manutenção do São João nos municípios, o que pode levar ao fim da festa nos próximos anos.

O São João, uma das manifestações culturais mais tradicionais e economicamente relevantes da Bahia, enfrenta um desafio para os próximos anos, podendo tornar as comemorações inviáveis para a maioria dos municípios do estado. A avaliação é do prefeito de Jequié, Zé Cocá (PP), que afirmou em entrevista nesta terça-feira (20) que a elevação expressiva dos custos dos festejos ameaça a continuidade da festa em cidades de pequeno e médio porte.

“O São João começou com um custo e hoje está dez vezes mais caro do que há cinco ou seis anos”, disse Cocá, explicando que o crescimento dos gastos com atrações e estrutura fez com que a organização da festa passasse a consumir grande parte dos orçamentos municipais. “Municípios de pequeno porte não terão condições de pagar. Do embalo que está, daqui a três anos, nenhum município baiano conseguirá ter condições de realizar a festa”, alertou o prefeito, citando o exemplo de Jequié, onde os custos podem saltar de cerca de R$ 5 milhões para R$ 15 milhões em poucos anos.

Para gestores como Cocá, a questão dos custos não se limita apenas aos valores envolvidos na realização da festa, mas também à contratação de artistas e serviços relacionados. Segundo ele, valores que antes eram relativamente modestos passaram a crescer de forma acelerada: “no passado, com R$ 200 mil já se fazia uma festa razoável, mas hoje esse valor não paga nem mais a passagem de som”, afirmou.

Cocá defendeu, durante a entrevista, a necessidade de uma ação conjunta entre as prefeituras para tentar frear a escalada dos custos. “Queremos unir a UPB para criar critérios e preços, em debates com o Tribunal de Contas [TCM] para que a gente desenvolva um preço médio e um limite de contratação da Bahia”, disse, referindo-se à União dos Municípios da Bahia (UPB), entidade que reúne os chefes dos Executivos municipais para discutir pautas administrativas e financeiras.

A proposta de estabelecer uma tabela de referência para cachês e serviços já vem sendo debatida entre gestores, justamente em resposta à chamada “inflação” dos preços no mercado de eventos juninos, que tem comprometido a capacidade de municípios manterem festas de grande porte.

Impactos culturais e econômicos em risco

A possibilidade de redução ou até extinção de festas juninas municipais preocupa autoridades e especialistas, dada a importância histórica e econômica do São João para o estado. Em anos recentes, estimativas apontaram que o São João da Bahia atrai milhões de visitantes e movimenta bilhões de reais em atividade turística, com impacto direto em setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio.

Além dos números conjunturais, a festa também representa um patrimônio cultural fortalecido ao longo de décadas, com quadrilhas, comidas típicas, tradições religiosas e músicas que marcam a identidade nordestina.

Desafios e o futuro da festa

A declaração de Zé Cocá necessita um debate mais amplo sobre a sustentabilidade das festas públicas diante de orçamentos municipais cada vez mais pressionados. Enquanto alguns defendem maior regulação e cooperação entre cidades para equalizar preços, outros alertam para os riscos de perda de autonomia cultural e competitividade na atração de turistas.

O desafio agora é encontrar um modelo que possibilite a continuidade das festas sem comprometer as finanças públicas, um equilíbrio delicado entre tradição, economia e gestão responsável.

 

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