Número de mortos em protestos no Irã ultrapassa 500 pessoas, segundo grupos de ativistas
O saldo de mortos nos protestos que varrem o Irã desde o final de dezembro já ultrapassou 500 pessoas, de acordo com dados compilados por um grupo internacional de direitos humanos. A paralisação da comunicação, ameaças de confronto internacional e a intensificação da repressão marcam o levante, que começou como reação à crise econômica e evoluiu para um dos maiores movimentos antigovernamentais dos últimos anos.
Os protestos começaram no dia 28 de dezembro, motivados pela crescente inflação, desvalorização do rial, a moeda iraniana e o custo de vida cada vez mais alto. Com o passar dos dias, o descontentamento popular se transformou em uma manifestação mais ampla contra o regime religioso que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979.
Segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos e que monitora a situação no Irã por meio de ativistas dentro e fora do país, pelo menos 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança foram mortos em confrontos com as forças governamentais desde o início dos protestos, totalizando mais de 500 vítimas. Além disso, mais de 10.600 pessoas foram detidas em diferentes cidades iranianas ao longo das duas semanas de mobilização.
As mortes e prisões ocorreram em meio a confrontos dispersos em várias províncias, incluindo na capital Teerã, Mashhad e outras grandes cidades, onde multidões desafiaram a presença militar e gritaram slogans antigovernamentais apesar da repressão.
O governo iraniano cortou o acesso à internet e impôs severas restrições às comunicações desde o início de janeiro, dificultando a verificação independente dos eventos no terreno. Essa interrupção tem sido utilizada como ferramenta para controlar a disseminação de informações e minimizar o impacto das mobilizações populares.
Sem provas, autoridades iranianas classificaram os protestos como ações instigadas por “terroristas” e forças estrangeiras, culpando países como os Estados Unidos e Israel pela instabilidade no país. O Estado convocou ainda uma manifestação nacional para contrapor o movimento de rua e reforçar a narrativa oficial de que se trata de um esforço estrangeiro para desestabilizar o Irã, o que até agora não vingou.
Tensões internacionais aumentam com ameaça de intervenção
A crise no Irã já ultrapassou o plano interno. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que, em caso de ataque estrangeiro, bases militares dos Estados Unidos e territórios ligados a Israel seriam considerados alvos legítimos. Ao mesmo tempo, o presidente estadunidense, Donald Trump, tem repetidamente sinalizado que está “pronto para apoiar” os manifestantes, considerando opções que incluem assistência cibernética, sanções ampliadas e até possível ação militar caso a violência contra civis continue.
Enquanto isso, líderes internacionais e grupos de direitos humanos têm ampliado os apelos por contenção e diálogo político, especialmente diante do elevado número de mortos e da escalada da repressão.
Os protestos no Irã representam um dos momentos mais críticos enfrentados pelo governo clerical em décadas. O que começou como revolta contra a deterioração das condições econômicas rapidamente se transformou em um movimento de contestação ampla ao atual modelo de poder.
A combinação de repressão interna, isolamento informacional e crescente tensão com potências estrangeiras coloca o Irã em uma encruzilhada política e social, com profundas implicações para o futuro do regime e da própria estabilidade regional.

