Política

Chile elege José Antonio Kast e consolida guinada da direita na América do Sul

O candidato da direita chilena, José Antonio Kast foi eleito presidente do Chile neste domingo (14), ao vencer o segundo turno das eleições contra Jeannette Jara, do Partido Comunista. Com o resultado, Kast sucederá Gabriel Boric e deverá assumir o comando do Palácio de La Moneda em março do próximo ano.

Após a confirmação do resultado, Jeannette Jara entrou em contato com o adversário para reconhecer a derrota. Em publicação na rede social X, a ex-candidata afirmou que a decisão das urnas deve ser respeitada. “A democracia falou alto e claro. Acabei de falar com o presidente eleito José Antonio Kast para desejar-lhe sucesso para o bem do Chile”, escreveu.

Trajetória política e origem familiar

José Antonio Kast é filho de um imigrante alemão que integrou o partido nazista e serviu como tenente do Exército, tendo fugido para a América do Sul após a Segunda Guerra Mundial. No Chile, o pai de Kast fundou um negócio lucrativo no ramo alimentício, no município de Paine, ao sul de Santiago. Durante a campanha presidencial de 2021, Kast foi alvo de críticas e questionamentos sobre esse passado familiar, afirmando, à época, que o pai teria sido recrutado à força.

Católico praticante, Kast é casado há mais de 30 anos com a advogada Maria Pia Adriasola e pai de nove filhos. Seu irmão mais velho, Miguel Kast, teve papel de destaque durante a ditadura de Augusto Pinochet, tendo sido ministro e presidente do Banco Central no início da década de 1980. Miguel integrou o grupo dos chamados “Chicago Boys”, responsáveis por implementar políticas de forte desregulamentação e privatização da economia chilena.

Formado em Direito, José Antonio Kast ingressou na política nos anos 1990 pelo partido de direita União Democrática Independente (UDI). Ele exerceu o mandato de deputado por mais de uma década, mas deixou a legenda em 2016 para disputar a Presidência como independente, obtendo menos de 10% dos votos. O salto político veio em 2021, quando concorreu pelo Partido Republicano, fundado por ele, consolidando-se como uma das principais lideranças da direita chilena.

Discurso conservador e agenda de segurança

Na campanha, Kast adotou uma plataforma de linha dura na área de segurança pública e imigração, inspirada em modelos dos Estados Unidos e de El Salvador. O presidente eleito visitou, no ano passado, as mega prisões construídas pelo governo de Nayib Bukele, defendendo políticas semelhantes no Chile, além da criação de uma zona de fronteira militarizada.

Kast também mantém alinhamento ideológico com lideranças conservadoras internacionais, como o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre suas propostas está a criação de uma força policial especializada nos moldes do ICE norte-americano, com foco na identificação e deportação rápida de imigrantes em situação irregular.

Economia e pautas sociais

No campo econômico, o presidente eleito defende maior flexibilização das leis trabalhistas, cortes nos impostos corporativos e redução da regulação estatal. Aliados avaliam, no entanto, que parte das propostas deverá ser moderada, especialmente aquelas relacionadas a cortes de gastos considerados inviáveis.

Em temas sociais, Kast mantém posições conservadoras. Ele já declarou que pretende revogar os direitos limitados ao aborto no país e proibir a venda da pílula do dia seguinte. Apesar de ter reduzido a centralidade dessas pautas durante a campanha, afirmou que não mudou de opinião. “Eu apoio a vida desde a concepção até a morte natural”, declarou durante o último debate televisionado.

Com a vitória, o Chile passa a integrar a lista de países latino-americanos que recentemente elegeram governos alinhados à direita, reforçando uma mudança no cenário político da região.

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