Ministério do Turismo cria novas regras para entrada e saída nas hospedagens
O Ministério do Turismo anunciou uma nova portaria para o setor hoteleiro em todo território nacional. A medida amplia para até três horas a arrumação e higienização dos quartos, numa diária de 24h. Segundo a pasta, a proposta é para resolver a velha polêmica dos horários de check-in e check-out, que costumam encolher a experiência do hóspede.
Na prática, o setor comemorou as novas normas, que vai dar mais tempo para os estabelecimentos alojarem os hóspedes. Segundo o presidente da ABIH, Manoel Valadares, a ampliação de duas horas destinado à limpeza são insuficientes para os trabalhadores.
Entretanto, o discurso revela mais a precariedade do modelo de gestão do que uma solução verdadeira. Ao invés de investir em mais pessoal e estrutura, o setor ganha de presente mais uma hora de “inatividade” dos quartos, onde o consumidor paga sem usar.
O advogado Rodrigo Daniel, do Ibedec, lembra que o ganho real está apenas no direito à informação. Em outras palavras: o hóspede precisa continuar vigilante, porque se o período de hospedagem ficar abaixo das 24 horas prometidas, caberá a ele reclamar e exigir ressarcimento. É a burocracia travestida de transparência: a responsabilidade, mais uma vez, recai sobre o cliente.
Entre as medidas, também será criado a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes em formato digital, para todo o segmento de hotelaria do país. A ficha online deve ser preenchida por todos os hóspedes, contendo informações básicas de identificação que já eram solicitadas no modelo em papel.
A portaria entra em vigor em três meses. Até lá, sobra a sensação de que a novidade foi desenhada para aliviar a pressão sobre o setor hoteleiro e pouco resolve o problema central. O hóspede continua pagando, usufruindo menos e precisando brigar por aquilo que já deveria ser garantido: a experiência integral de uma diária.

