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Novo PAC destina R$ 379,7 milhões à sede e deixa Orla de Camaçari de fora

Camaçari tem sido apresentada pela gestão municipal como um exemplo de “novo ciclo de crescimento e desenvolvimento” com o apoio do Governo Federal. Somente por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o município já recebeu R$ 379,7 milhões em recursos, distribuídos entre obras de infraestrutura, saúde e contenção de encostas.

O anúncio mais recente, feito durante o mês de aniversário da cidade, contemplou R$ 125 milhões destinados à fase 3 das obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Camaçari. O pacote inclui drenagem, pavimentação, passeios, ciclovias, pontes, pontilhões e parques lineares, beneficiando bairros como Novo Horizonte, Nova Vitória, Nova Brasília, Burissatuba, Verde Horizonte, Parque Verde, entre outros.

Além disso, outros R$ 83 milhões foram liberados para a segunda etapa do Riacho da Lama Preta, abrangendo áreas próximas ao Estádio Fernando Ferreira Lopes e comunidades como Parque Verde, Nova Aliança e Phocs. O conjunto de obras inclui ainda R$ 15,3 milhões para contenção de encostas no Alto da Bela Vista e no Jardim Limoeiro, além da construção da nova Policlínica Regional de Saúde, erguida no bairro Camaçari de Dentro, com investimento de R$ 24,4 milhões.

Embora os valores chamem atenção, chama ainda mais a atenção o destino dessas verbas: todas voltadas para a sede do município e áreas urbanas do entorno. A Orla, que concentra boa parte do crescimento populacional e da atividade turística de Camaçari, segue sem previsão de investimentos relevantes dentro do Novo PAC.

Um dos pontos cruciais para a Orla é o esgotamento sanitário de Abrantes, que percorre o distrito passando por Pé de Areias e deságua no rio de Areias, afluente do Rio Capivara, contaminando as águas até Arembepe. Esses e outros desafios seguem sendo deixados de lado pela gestão, que também enfrenta problemas de mobilidade, como o acesso à praia de Jauá, além da carência de infraestrutura básica — pontos que continuam fora dos anúncios de recursos.

Para os moradores da Orla, a exclusão reforça um desequilíbrio histórico: enquanto a sede recebe constantes pacotes de obras, a costa de Camaçari, cartão-postal do município, que visivelmente permanece em segundo plano nas prioridades dos mandatários do município.

 

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