Conexão Saúde alivia, mas não resolve os problemas de gestão na saúde pública de Camaçari
O projeto Conexão Saúde estreou em Vila de Abrantes com a promessa de ampliar o acesso a consultas e exames para quem depende da saúde pública de Camaçari. Sem dúvida, o projeto é um alívio imediato para aqueles que há meses aguardam atendimento.
A resposta está na emoção dos relatos dos moradores atendidos, que evidenciam o quanto iniciativas desse tipo são necessárias e bem-vindas. No entanto, é fundamental olhar além do impacto momentâneo e enxergar o panorama completo da saúde no município.
Programas como este não são novidade em Camaçari. Ações semelhantes já foram implementadas desde a gestão de Ademar Delgado e continuaram durante o governo de Elinaldo, que deixou um saldo de mais de 120 mil pessoas em uma extensa fila de espera, repassando o problema para o quarto mandato de Luiz Caetano. Hoje, milhares de cidadãos se dirigem diariamente aos postos de saúde e voltam para casa sem atendimento, frustrados e desassistidos.
Iniciativas como o Conexão Saúde cumprem um papel paliativo, mas não enfrentam o problema estrutural de um sistema que falha em atender de forma contínua e eficiente. Enquanto a saúde de Camaçari depender apenas de ações pontuais e eventos isolados, a população seguirá lidando com filas intermináveis, direitos negados e a sensação de que a promessa de atendimento de qualidade permanece distante.
É nítido que a saúde pública precisa de planejamento e estruturação contínua. Investir na qualificação das unidades, na contratação de mais profissionais, na regularização de consultas e exames e na gestão eficiente da demanda é o caminho para que ações como o Conexão Saúde deixem de ser paliativas e passem a integrar um sistema que realmente funcione para todos.
Só assim Camaçari transformará o acesso à saúde em um direito cotidiano — e não em uma esperança de evento.

