Pane elétrica no hospital Menandro de Farias deixa UTI e sala vermelha no escuro
Pacientes e funcionários do Hospital Geral Menandro de Faria, em Lauro de Freitas, viveram momentos de tensão na tarde deste sábado (23), quando a unidade de saúde enfrentou uma interrupção no fornecimento de energia elétrica. O problema atingiu setores críticos, como a UTI e a sala vermelha, e obrigou profissionais a improvisarem com lanternas de celulares para garantir o atendimento.
Imagens registradas no interior do hospital mostram a cena preocupante: corredores às escuras e médicos realizando procedimentos em condições precárias de iluminação, um cenário incompatível com o que se espera de uma unidade do estado.
A Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) informou que a interrupção ocorreu devido a uma falha na rede elétrica da região. Segundo a nota, o gerador do hospital não entrou em funcionamento imediato porque ativou um “modo de proteção do sistema”, o que atrasou sua resposta automática. A Sesab garantiu ainda que todos os pacientes foram assistidos sem intercorrências, descartando transferências emergenciais.
Já a Neoenergia Coelba minimizou o episódio, alegando que a energia foi restabelecida em 38 segundos graças a tecnologias instaladas no sistema elétrico. A distribuidora tratou o caso como uma ocorrência “pontual”, reforçando, em sua nota, o compromisso com serviços essenciais.
No entanto, para quem estava dentro da unidade, a realidade foi bem diferente da versão oficial. Trinta e oito segundos podem parecer pouco no papel, mas em um ambiente hospitalar, onde segundos são decisivos para salvar vidas, a demora se torna crítica. A falha no acionamento imediato do gerador escancara fragilidades graves tanto na infraestrutura elétrica do hospital quanto no plano de contingência para situações de emergência.
A Coelba, por sua vez, prefere enfeitar o problema com justificativas técnicas, esquecendo-se de que a vida de pacientes esteve em jogo durante a pane. Já a administração do hospital, ao admitir que o próprio gerador entrou em “modo de proteção” e não funcionou como deveria, evidencia a falta de manutenção preventiva ou de mecanismos de resposta rápida.
O episódio, ainda que oficialmente tratado como “sem danos”, serve de alerta: basta um apagão de alguns segundos mal administrados para transformar um hospital em palco de tragédia. Pacientes em UTI e em setores críticos não podem depender da sorte ou da lanterna de um celular. A saúde pública exige sistemas robustos, testados e confiáveis, algo que, pelo visto, ainda não é prioridade nem para a Coelba, nem para a gestão do Menandro de Faria.

