Política

AL-BA aprova urgências de empréstimo bilionário para a gestão de Jerônimo

A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) aprovou, nesta terça-feira (20), as urgências de dois projetos que prometem mexer de forma significativa nas contas do estado: a contratação de um empréstimo bilionário e o reajuste salarial dos servidores. A sessão, marcada por disputas internas e falta de acordo entre deputados.

O destaque, é claro, foi o empréstimo de 122,5 bilhões de ienes japoneses — cerca de R$ 4,5 bilhões na cotação atual — que, segundo o governador Jerônimo Rodrigues, servirá para “melhorar o perfil de endividamento do governo”, substituindo dívidas antigas por um financiamento em condições aparentemente mais vantajosas. Ironia à parte, é curioso notar que, enquanto se discute a substituição de dívidas, o impacto real no bolso do contribuinte ainda permanece nebuloso. Afinal, R$ 4,5 bilhões são R$ 4,5 bilhões e não há mágica que transforme esse valor em menos preocupante.

O segundo ponto aprovado foi o reajuste salarial para servidores estaduais, escalonado entre 10,2% e 22,1% entre 2025 e 2026. O governo estima que a medida vá gerar um impacto de R$ 118,5 milhões ainda neste ano, R$ 339,8 milhões em 2026 e R$ 377,8 milhões em 2027. Um crescimento expressivo, que certamente vai precisar ser conciliado com a já robusta dívida pública.

Além das urgências, a AL-BA também se prepara para discutir projetos estratégicos, como a reestruturação das polícias Militar e Civil, incluindo a criação de cargos e abertura de novas unidades em todo o estado. Mas, por ora, o que chamou atenção mesmo foram os bilhões de ienes e os reajustes generosos, aprovados em meio a uma sessão que, segundo relatos, parecia mais uma reunião social com distribuição de homenagens do que uma discussão séria sobre finanças públicas.

A expectativa agora é de que os projetos sejam levados ao plenário na próxima semana, e os olhos de especialistas e contribuintes estarão atentos para conferir se o “empréstimo milagroso” e os reajustes tão festejados realmente trarão benefícios tangíveis ou apenas ampliarão o déjà-vu da dívida estadual.

Comentários: