Política

Lideranças da sede tentam dominar espaço político na orla e causam desconforto entre aliados de Caetano

A movimentação política do governo Luiz Caetano (PT) na orla de Camaçari tem causado incômodo e gerado tensão nos bastidores do grupo governista. Isso porque, nas últimas semanas, lideranças locais vêm percebendo um movimento de invasão de espaço por figuras da sede, em especial pela vice-prefeita Pastora Dea e o secretário Ademar Lopes, da Secretaria de Relações Institucionais (Serin), que vêm sendo apontados como os “novos condutores” da política na região litorânea do município.

Embora o prefeito Caetano e a deputada federal Ivoneide Caetano ainda não tenham se manifestado oficialmente sobre essa possível reconfiguração do comando político na orla, as ações práticas do governo, agendas públicas e articulações, estão sendo direcionadas cada vez mais para a dupla. A movimentação acendeu o alerta em lideranças locais, que evitam até agora declarações públicas, mas já demonstram insatisfação com a falta de valorização dos quadros naturais da orla, que historicamente atuam no território e contribuíram para a vitória de Caetano em 2024 e na campanha de Ivoneide em 2022.

Durante a campanha municipal de 2024, Caetano fez críticas ao antigo grupo que governava o município, acusando-os de manter a orla em posição subalterna e prometendo valorizar as lideranças locais. A realidade, no entanto, parece estar caminhando na direção oposta: nomeações políticas e investimentos têm sido centralizados em figuras da sede, o que para muitos soa como uma traição silenciosa aos compromissos assumidos anteriormente.

Uma fonte do próprio governo Caetano, nos relatou que, com as seguintes posições, muitas lideranças podem deixar o governo e não apoiar a releição de deputada federal de Ivoneide Caetano, que é o principal objetivo do prefeito para o próximo preito. “Eles estão querendo controlar toda a base da orla. Com isso, estão atropelando quem construiu essa base e isso vai custar caro”, afirmou a fonte, sob condição de anonimato.

A postura do governo também tem gerado questionamentos quanto à real intenção por trás da presença frequente da vice-prefeita e do secretário Ademar em atividades e decisões na orla, em detrimento de nomes locais com histórico de atuação consolidado. “Não sabemos se estão preparando a pastora para algum futuro cargo, ou se é apenas controle político mesmo. O certo é que a base está desmotivada”, comentou uma liderança comunitária de Arembepe.

A orla de Camaçari representa não apenas uma importante força eleitoral do município, mas também um território estratégico em disputas políticas regionais. Ignorar sua complexidade e suas representações locais pode custar caro, especialmente para um governo que prometeu descentralização e respeito à autonomia territorial.

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