Opinião

O caos do transporte metropolitano de Salvador: tarifas elevadas e sistema precário

Seguindo com a série de reportagem com o tema “O caos do transporte metropolitano de Salvador”, vamos desvendar um dos pontos mais sensíveis do sistema: as tarifas. O valor cobrado no transporte intermunicipal afeta diretamente o bolso da população trabalhadora que se desloca diariamente entre os municípios da Região Metropolitana de Salvador (RMS) e a capital.

As tarifas variam conforme o município de origem e a extensão das linhas, mas o que se vê na prática é que o valor arrecadado, distribuído entre o metrô, empresas de transporte, governo estadual e prefeituras, que não se converte em conforto e nem em qualidade para os passageiros, em sua maioria, operando com veículos antigos, superlotação e ausência de uma gestão eficiente.

Segundo o Governo do Estado, os preços atuais foram mantidos graças a um subsídio emergencial para evitar o reajuste previsto para 2025. Foram destinados R$ 70 milhões, dos quais R$ 30,4 milhões são voltados especificamente às empresas usarem na renovação da frota. O acordo entre Ministério público, estado e empresas que operam o sistema tem validade de apenas 12 meses, e, pelo andar da carruagem, o plano não está saindo do papel. 

A nossa redação visitou os terminais metropolitanos e a operação segue os veículos sucateados, longas filas, sem oferecer melhorias visíveis aos usuários.

Tarifa cara para o se entrega!

Apesar do veto ao aumento tarifário, o valor da passagem ainda é elevado. Entre as capitais nordestinas, a Região Metropolitana de Salvador possui a segunda tarifa mais cara, com valor inicial de R$ 5,20, podendo chegar a R$ 5,60 nas linhas que integram com o metrô, a capital baiana perde apenas para a Região Metropolitana de Fortaleza, onde a tarifa integrada completa custa R$ 5,50, mas com a diferença de contar com subvenção municipal e maior integração entre os modais.

Prioridade para o metrô

Os números escancaram a diferença de tratamento entre os modais. Enquanto o metrô de Salvador recebeu, ao longo dos anos, um investimento de R$ 8,1 bilhões — sendo R$ 686 milhões apenas para manter a operação em 2024 —, o transporte rodoviário metropolitano, conta com investimentos modestos, ficando em 2025 o valor R$ 30,4 bilhões em subsídios anuais. A discrepância revela um desequilíbrio na política de mobilidade. Por isso, o sistema sobre trilhos tem garantido tarifas mais baixas com forte aporte público, enquanto o transporte viário segue operando com frota antiga, sem integração plena e com tarifas elevadas que pesam no bolso do trabalhador.

Existe previsão de mudanças?

No sexto e último capítulo da série, vamos abordar as perspectivas para o futuro do transporte metropolitano de Salvador. Afinal, há alguma previsão de mudança? O que dizem os gestores públicos, os estudos técnicos e, principalmente, os usuários sobre possíveis soluções? E mais: é possível reverter esse cenário de abandono?

Comentários: