Tarcísio culpa Lula por tarifas impostas por Trump
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), subiu o tom contra o governo federal ao responsabilizar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelas recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, Tarcísio afirmou que a política externa de Lula estaria “subordinada à ideologia” e teria ignorado o diálogo diplomático necessário para evitar medidas prejudiciais à economia nacional.
A crítica surge após o governo do presidente Donald Trump-EUA, anunciar a taxação de importações brasileiras em setores estratégicos. Para Tarcísio, o Palácio do Planalto se concentrou em prestigiar regimes autoritários e defender pautas como a regulação da internet, enquanto países concorrentes atuaram com pragmatismo para proteger seus interesses comerciais.
“Perdemos espaço porque preferimos posar com ditadores ao invés de conversar com quem tem peso no comércio internacional”, afirmou o governador em uma de suas publicações. Ele também sugeriu que o Brasil tem sido visto com desconfiança por antigos aliados justamente pelo viés ideológico adotado pelo atual governo.
A manifestação de Tarcísio teve respaldo imediato entre aliados, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado (PL). Internamente, o governador vinha sendo pressionado a se posicionar sobre o tema, principalmente por setores que o associam ao campo conservador e que lembram seu apoio explícito a Trump nas eleições americanas — incluindo o registro em que aparece com o icônico boné vermelho estampado com o slogan “Make America Great Again”.
A oposição, por outro lado, aproveitou o episódio para cobrar coerência de Tarcísio e levantar questionamentos sobre sua atuação diplomática enquanto ministro da Infraestrutura e agora como chefe do Executivo paulista. Parlamentares ligados ao governo Lula rebateram as críticas, alegando que as decisões comerciais dos EUA atendem a interesses internos e não se resolvem com afinidades pessoais.
Nos bastidores, o movimento de Tarcísio é visto como mais um passo na tentativa de se consolidar como nome viável da direita para a corrida presidencial de 2026, retomando bandeiras bolsonaristas e sinalizando afinidade com o discurso de Trump — especialmente em momentos de atrito com o atual governo.

