Lula propõe desligamento de cabos submarinos dos EUA e criação de novo sistema com ditaduras do BRICS
Durante a 16ª cúpula do BRICS, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou uma proposta polêmica e preocupante para o desempenho tecnológico do Brasil. O petista propôs que o grupo geo-político ignorem os cabos submarinos de internet dos Estados Unidos e criem uma rede que conectem exclusivamente os países-membros do bloco. A ideia, segundo o próprio Lula, visa garantir maior segurança, soberania e liberdade de interceptações na troca de dados entre os países do Sul Global.
No entanto, o plano tem levantado duras críticas por seu evidente viés geopolítico e por representar mais um passo no afastamento do Brasil do Ocidente. Ao propor uma infraestrutura digital paralela, o governo brasileiro pode estar contribuindo para a fragmentação da internet mundial e o fortalecimento de um bloco cada vez mais dominado por regimes autoritários, como Rússia, China, Irã e Arábia Saudita.
O BRICS, que hoje conta com 11 membros permanentes, incluindo ditaduras consolidadas e países com histórico de censura e repressão, é cada vez mais visto como uma frente ideológica contra as democracias liberais. A proposta de Lula, apresentada como um avanço tecnológico e de soberania, esconde a real intenção de criar uma rede de comunicações isolada do modelo ocidental, controlada por governos que perseguem opositores, restringem liberdades e manipulam informações.
“A construção de cabos submarinos ligando diretamente os membros dos BRICS aumentará a velocidade, a segurança e a soberania na troca de dados”, afirmou Lula, durante discurso que defendeu maior intervenção estatal na política industrial dos países do bloco. O que o presidente não explicou é qual será o impacto dessa política no fluxo livre de informações, na privacidade dos cidadãos e no risco de uma internet fragmentada entre zonas de influência geopolítica.
Especialistas alertam para os riscos de criar uma infraestrutura digital paralela, especialmente sob a tutela de governos que impõem forte controle sobre os meios de comunicação. A medida pode ser o embrião de uma “internet BRICS”, onde dados e narrativas circularão sob os olhos de líderes que veem a liberdade de expressão como ameaça ao poder.
O bloco representa 39% do PIB global, 48,5% da população mundial e movimenta 23% do comércio internacional. Apenas em 2024, os BRICS foram destino de 36% das exportações brasileiras. Mas esses números não apagam a realidade ideológica que marca o grupo: a presença majoritária de governos centralizadores, com pouca ou nenhuma tradição democrática.
Ao propor um novo caminho digital sob a liderança de nações com histórico de censura, Lula parece mais alinhado a interesses políticos do que aos reais avanços tecnológicos. A liberdade na internet, já ameaçada em muitos desses países, corre o risco de se tornar ainda mais restrita sob uma rede construída por quem enxerga o controle da informação como ferramenta de poder.

