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Aumento do IOF pesa no bolso dos pobres e desmente discurso de que só atinge os ricos

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tributo federal que incide sobre crédito, câmbio, seguros e investimentos, voltou ao centro do debate econômico após o governo Lula sinalizar a possibilidade de interromper o processo de redução iniciado na gestão Bolsonaro. A decisão de manter ou até elevar as alíquotas representa um retrocesso na política de desoneração anterior, com efeitos diretos no bolso da população, sobretudo das camadas mais pobres, que dependem do crédito para sobreviver.

Em vigor desde 3 de janeiro de 2024, o Decreto nº 11.153/2022 previa a redução gradual do IOF até sua extinção total em 2028. O plano, parte de compromissos internacionais do Brasil, buscava estimular investimentos, baratear o crédito e favorecer a economia nacional com efeitos positivos para empresas, consumidores, pequenos empreendedores e trabalhadores. Contudo, a possível reversão desse processo levanta uma série de alerta.

Crédito mais caro para quem mais precisa

Um dos principais efeitos da manutenção ou aumento do IOF recai sobre empréstimos, financiamentos e o uso do rotativo do cartão de crédito, modalidades recorrentes entre brasileiros de baixa renda. Para milhões de pessoas que recorrem ao crédito para cobrir necessidades básicas, a consequência é clara: juros mais altos, maior dificuldade de acesso a recursos financeiros e limitações para adquirir bens duráveis ou investir em educação e saúde privadas.

Impacto nos preços e aumento indireto da inflação

As empresas também são afetadas, especialmente em operações de crédito e câmbio. Para compensar os custos adicionais, repassam os encargos ao consumidor final. O efeito é um aumento indireto da inflação, que pesa mais sobre quem gasta grande parte da renda com produtos essenciais, como alimentos, transporte e energia.

Câmbio, importações e vida mais cara

Outra área fortemente atingida é o câmbio. O IOF sobre operações internacionais torna mais cara a compra de moeda estrangeira e os gastos no exterior com cartão de crédito. Mas os impactos vão além dos turistas: combustíveis importados, alimentos, eletrônicos e insumos industriais sofrem alta, pressionando toda a cadeia produtiva e, por consequência, o custo de vida da população.

O peso da conta no ombro do trabalhador

Ao contrário do que se possa imaginar, o aumento do IOF não é apenas uma estratégia de arrecadação. Seus reflexos se espalham por toda a economia e atingem de forma desproporcional quem já enfrenta dificuldades para sobreviver. O trabalhador comum, que depende do crédito para cobrir emergências e do consumo básico para manter a dignidade, acaba sendo o maior prejudicado.

A revisão da política de redução do IOF acende um sinal de alerta: decisões fiscais não podem ignorar os efeitos práticos sobre a realidade das pessoas. Ao insistir em tributar ainda mais as operações financeiras, o governo pode sufocar a economia produtiva e aprofundar a desigualdade social. Compartilhar a verdade sobre esse tema é, portanto, uma forma de resistência à censura e à desinformação.

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