BYD inaugura fábrica em Camaçari sob alerta do sindicato contra possível substituição de brasileiros por chineses na linha produção
Nesta terça-feira, 1º de julho de 2025, a chinesa Build Your Dreams (BYD) inaugurou oficialmente sua primeira fábrica no Brasil, no Polo Industrial de Camaçari, dando início à montagem de veículos elétricos no país. A fábrica ocupa parte da antiga planta da Ford, agora reformulada para receber uma linha de produção direcionada a veículos de alta tecnologia.
Apesar do otimismo gerado com a inauguração da montadora, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, Júlio Bonfim, relatou que a entidade não permitirá que chineses substituam trabalhadores brasileiros nas linhas de montagem — algo comum nas empresas chinesas quando se instalam fora de seu país.
“O Sindicato dos Metalúrgicos não aceitará chineses na linha de produção. A linha de produção operacional é dos baianos. Se tiver um chinês dando treinamento, tudo bem… Mas ad eternum, não”, afirmou.
Bonfim também criticou a falta de diferencial salarial entre funções: a BYD ofereceria o mesmo piso de R$ 1.950 para cargos especializados e não especializados, desvalorizando trabalhadores com maior qualificação.
O sindicato exige que as contratações priorizem mão de obra local, que haja diversidade nas vagas (como inclusão de mulheres) e que faixas etárias mais amplas sejam consideradas. Qualquer tentativa de substituição poderá gerar resistência forte — inclusive paralisações, alertou.
Empresa já nasce na Bahia com histórico de maus-tratos a trabalhadores
Desde a sua instalação, a empresa foi alvo de críticas ao trazer trabalhadores chineses durante a construção da planta em Camaçari. Em dezembro de 2024, uma operação fiscal encontrou 163 operários chineses em condições classificadas como “análogas à escravidão”: passaportes retidos, alojamentos superlotados, jornadas exaustivas e restrição de movimento.
Relatórios revelaram contratos com cláusulas abusivas — depósito de US$ 900, retenção de 60% dos salários, proibição de saída sem permissão e multas severas por comportamentos como “andar sem camisa”. As vítimas trabalhavam por cerca de US$ 70 por turno de dez horas, com direitos mínimos previstos em lei.
A Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho intervieram. O governo suspendeu vistos temporários para a BYD, resgatou os operários e transferiu-os para hotéis até sua repatriação. Em maio de 2025, foi ajuizada ação contra a empresa e suas contratadas, com pedido de 257 milhões de reais em indenizações e multas.
Perspectivas e desafios
A fábrica da BYD em Camaçari é a maior instalação da montadora fora da Ásia e tem capacidade projetada de produzir 150 mil veículos por ano, com potencial de gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos até 2026.

