Gordura no fígado atinge 1 em cada 5 brasileiros e pode evoluir para doenças graves
Uma doença silenciosa e muitas vezes negligenciada, a esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, já afeta cerca de 20% da população brasileira, segundo dados da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Embora comum, o problema pode trazer sérias consequências quando não tratado adequadamente.
A esteatose ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado, o que pode desencadear inflamações, fibrose hepática e, em estágios mais avançados, levar à cirrose. O diagnóstico, muitas vezes, acontece de forma tardia, já que os sintomas iniciais são sutis ou inexistentes.
Entre os principais sintomas relatados por pacientes estão:
-
Desconforto abdominal, especialmente no lado direito;
-
Fadiga constante;
-
Sensação de estufamento;
-
Náuseas e perda de apetite;
-
Alterações nos exames de sangue, como aumento de enzimas hepáticas.
Nos casos mais graves, podem surgir sinais como amarelamento da pele e dos olhos (icterícia) e inchaço abdominal.
O que causa gordura no fígado?
Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da esteatose hepática. Os mais comuns são:
-
Sobrepeso e obesidade;
-
Diabetes tipo 2 e resistência à insulina;
-
Colesterol e triglicerídeos elevados;
-
Consumo excessivo de álcool (esteatose hepática alcoólica);
-
Dieta rica em gorduras ruins e açúcares refinados;
-
Falta de atividade física.
“Vale ressaltar que a condição não atinge apenas pessoas com excesso de peso. Mesmo indivíduos magros podem apresentar gordura no fígado, especialmente se houver predisposição genética ou distúrbios metabólicos.”
Prevenção começa no prato e na rotina
Adotar hábitos saudáveis é a principal forma de prevenir e tratar a esteatose hepática. Entre as medidas recomendadas estão:
-
Alimentação balanceada, com ênfase em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e proteínas magras;
-
Redução do consumo de alimentos ultraprocessados, açúcar refinado e bebidas alcoólicas;
-
Prática regular de atividade física, como caminhadas, natação ou ciclismo;
-
Controle de doenças associadas, como diabetes, colesterol e triglicerídeos.
A perda de apenas 5% a 10% do peso corporal já pode gerar melhora significativa na saúde do fígado em pessoas com sobrepeso.
Acompanhamento médico é indispensável
Apesar das mudanças no estilo de vida serem fundamentais, o acompanhamento médico é indispensável para quem já foi diagnosticado com a condição. Exames de sangue, ultrassonografias e outros testes são essenciais para avaliar a progressão da doença. Em alguns casos, o tratamento pode incluir o uso de medicamentos, suplementos ou estratégias personalizadas.
A esteatose hepática é reversível, mas exige comprometimento. Quanto antes for detectada, maiores são as chances de evitar complicações sérias. Ficar atento aos sinais e adotar uma rotina mais saudável pode ser o primeiro passo para preservar a saúde do seu fígado.

