Política

Câmara de Camaçari se cala diante das denúncias de interferência do Executivo e possível favorecimento de empresa em licitação do transporte municipal

Duas denúncias de grande repercussão marcaram a política de Camaçari nas últimas semanas, mas passaram completamente despercebidas pela Câmara de Vereadores da cidade. Em silêncio, tanto a base do governo quanto a oposição optaram por não se manifestar ou tomar providências diante de situações que colocam em xeque a lisura institucional e o dever de fiscalização do Legislativo municipal.

A primeira denúncia trata da suposta articulação do Governo Caetano para anular a eleição da Mesa Diretora da Câmara, que ocorrida em 1º de janeiro deste ano. A segunda envolve o vereador, aliado da base do prefeito Luiz Caetano, que antecipou publicamente o nome da empresa vencedora da licitação do transporte público, mais de um mês antes da divulgação oficial no Diário Oficial.

Ambos os casos foram revelados pelo OrlaNews e causaram forte repercussão entre moradores e analistas políticos. Ainda assim, nenhum vereador solicitou investigação, fez pronunciamento público ou indicou qualquer medida institucional para apurar os episódios.

Governo Caetano e a suposta tentativa de interferência no Legislativo

No primeiro caso, uma fonte revelou que o Governo Caetano teriam articulado uma manobra para anular a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Camaçari. Segundo a matéria, o grupo do governo apontou um erro na condução da primeira sessão do ano, onde o vereador que presidia o ato, realizou a eleição, deu posse ao prefeito e só ‘depois deu posse aos parlamentares’, descumprindo o regimento interno da Casa, dando margem ao governo tentar reverter o resultado e emplacar uma nova presidência alinhada à atual gestão.

A denúncia aponta que houve tentativa de suborno de um vereador da oposição, e teria oferecido cargos na administração municipal e a própria presidência da Câmara. Inicialmente, o parlamentar sinalizou positivamente à proposta, marcando até um encontro na Prefeitura para fazer vídeos, fotos e divulgar a decisão. No entanto, poucos dias depois, recuou, deixando o governo sem a adesão esperada. 

“Isso fere o princípio da separação dos poderes. O que se viu foi uma tentativa escancarada do Executivo de colocar um cabresto na Câmara, o que compromete a democracia institucional do município”, afirmou Josué Nazaré, que acompanha o cotidiano político de Camaçari.

Para Josué, o mais alarmante foi o silêncio diante da gravidade da situação: “Esse tipo de ação merecia, no mínimo, uma resposta da Câmara, e isso não aconteceu.”

No segundo episódio, o vereador Prof. João Dão (PSB) — não se sabe se por inexperiência ou por envolvimento no caso — causou estranheza ao mencionar o nome da empresa vencedora da licitação do transporte público municipal um mês antes da divulgação oficial. O nome foi citado por ele durante entrevista a uma rádio local. O resultado da licitação, no entanto, só foi publicado no Diário Oficial no dia 15 de maio, levantando suspeitas de possível favorecimento ou direcionamento, uma vez que o edital ainda estava em andamento e o nome da empresa vencedora não era de conhecimento público.

Vale lembrar que, durante a campanha para as eleições de prefeito e vereadores em 2024, a empresa conduzia eleitores do prefeito para eventos políticos.

Apesar disso, o vereador não explicou como obteve a informação e nenhum pedido de apuração foi protocolado na Casa Legislativa, sem questionamento dos demais vereadores.

Falta lisura com a população

Para Josué Nazaré, os dois episódios representam não apenas possíveis violações administrativas, mas revelam um padrão de comportamento preocupante dentro da política local, com o silêncio institucional.

“Infelizmente, o que se percebe é uma aposta na ignorância da população. O governo articula manobras nos bastidores, vereadores antecipam resultados de licitações, e a Câmara fica em silêncio, como se nada estivesse acontecendo. Eles acreditam que ninguém está prestando atenção.” Protestou.

Josué ressalta que a omissão da Câmara é desvio de função e descontrole do Legislativo.

“A população está mais atenta. A falta de posicionamento diante de temas como esse pode custar caro nas urnas. Estamos falando de um parlamento que falhou com a sua missão básica de defender o interesse público.”

O que diz as partes envolvidas

O OrlaNews procurou a Presidência da Câmara de Camaçari, o vereador Prof. João Dão e representantes do Governo Caetano. Infelizmente, nenhuma das partes envolvidas deram suas versões das denúncias apresentadas nas matérias publicadas. O Orlanews ressalva que mantém o espaço aberto para que todos se manifestem e deem suas versões dos fatos.

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